terça-feira, 25 de julho de 2017

Por onde anda: Tiago Chiesorin

Está formado há quanto tempo? 
Estou formado há cinco anos. Formei-me em Julho de 2012.

E aí, por onde anda? 
Trabalho como supervisor de vendas na Michael Kors.

Como é sua rotina de trabalho?
Minha rotina de trabalho consiste em supervisionar e treinar a equipe de vendas e também realizar vendas, pois tenho meu target de vendas anual. E também consiste em realizar atividades gerenciais, reportando a gerencia nacional da empresa.

Hoje estou morado em Winnipeg, no Canadá, e morar fora do Brasil é uma experiência bem diferente e que agrega muito em minha vida, pois tenho que falar outra língua tanto na minha vida profissional quanto pessoal. Relaciono-me com pessoas de culturas completamente diferentes da minha. E o clima é complicado, porque aqui é inverno praticamente durante 6-8 meses, com temperaturas abaixo de 40º C!

Como o curso de Marketing do UNICURITIBA colaborou para sua carreira?
Quando comecei o curso eu era muito tímido e com o decorrer das aulas fui me soltando e aprendendo a me socializar melhor nas situações do dia-a-dia. Foi também no curso de Marketing que eu descobri que queria trabalhar com o Mercado de Luxo. Durante uma das semanas de extensão onde participávamos de aulas complementares, o então coordenador do curso Luciano Kingeski ministrou um mini curso sobre marketing do luxo. Desde então vim estudando sobre luxo e moda para me capacitar e trabalhar onde tanto queria.

Qual dica você dá para os nossos alunos? 
O curso disponibiliza de ótimos profissionais lecionando, então absorvam o máximo possível de informação durante o curso porque passa muito rápido e quando você se dá conta já está se formando.
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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Os 5 sentidos de uma marca segundo o Neuromarketing

Prof Gláucia Salles
Entender o funcionamento do cérebro já não é mais assunto exclusivo dos neurocientistas. O avanço das tecnologias vem auxiliando o mundo da medicina a desvendar informações relevantes sobre o funcionamento do cérebro e o consequente tratamento para doenças antes tidas como irreparáveis. Com esse conhecimento, os estudiosos do comportamento humano como psiquiatras e psicólogos, também puderam avançar em suas técnicas profissionais. 

Esse campo de estudo denominado neurociência cognitiva é compartilhado com os profissionais de marketing e se torna uma potencial especialização da profissão. O uso das referências neurológicas para as tomadas de decisão de marketing forma o campo de estudo do neuromarketing. Muitos críticos temem que profissionais de marketing façam mal uso das informações cognitivas recebidas e possam induzir os clientes potenciais a adquirirem produtos e serviços que eles não desejam. Essa crítica deve ser percebida com cuidado porque nenhuma ferramenta da neurociência conseguirá produzir esse efeito "maléfico" na tomada de decisão do cliente. 

O que ocorre é que de posse de informações de como o shopper (pessoa que decide a compra de um produto enquanto visita uma loja) toma sua decisão, incentivos diversos poderão ser utilizados apresentando sugestões para esse shopper. Essa tática já é utilizada há muito tempo, porém hoje com as ferramentas do neuromarketing é possível fazer isso com mais precisão. As ferramentas de medição do comportamento de compra e de tomada de decisão são inúmeras e algumas bem conhecidas. Com o cérebro monitorado, alguns estímulos visuais e sensoriais são apresentados a um cliente potencial e as respostas a esses estímulos são analisadas por meio dos seguintes exames e aparatos: 1) Eletrocardiograma (batimento cardíaco); 2) Eletro encefalograma (medição da atividade elétrica cerebral); 3) Condutância da pele (avalia os aspectos eletrofisiológicos da pele que varia conforme a emoção sentida); 4) frequência respiratória; 5) Expressão facial (estudo demonstrado em detalhes na antiga série televisiva "lie to me"); 6) Eye Tracking (movimento dos olhos enquanto a pessoa está exposta a uma loja, a uma prateleira cheia de produtos ou a um comercial). 

Estas e outras ferramentas têm trazido resultados cada vez mais surpreendentes e tem aproximado cada vez mais o universo da medicina ao universo do marketing. Antes uma pessoa capaz de distinguir cem vezes mais cores que uma pessoa comum era vista como uma pessoa portadora de uma anomalia. Hoje esta pessoa tetracromata é contratada por uma empresa para determinar a gama de cores de um determinado produto. Foi o que ocorreu na empresa Mac de cosméticos que contratou uma tetracromata para definir a infinidade de cores de batons e suas respectivas embalagens. Tais cores nos batons e nas embalagens são capazes de chamar a atenção e estimular o cérebro das clientes mais exigentes. 

O grande aprendizado do neuromarketing em seus primeiros anos de estudo fica por conta do fato de que não se pode mais pensar em planejamento de marca ou branding sem se planejar o estímulo aos 5 sentidos. Assim, não adianta mais criar uma marca visualmente perfeita, se não for idealizada também uma marca sonora, uma marca olfativa, uma marca tátil e uma marca gustativa. Parece exagero mas não é. Martin Lindstrom um pesquisador do neuromarketing afirma que somente uma marca completamente integrada (pelos 5 sentidos) será capaz de conquistar o cliente da mesma forma que ocorre com os times de futebol e com as religiões. A explicação para a defesa da marca completamente integrada está relacionada ao fato de que uma marca visual aciona apenas uma área do cérebro enquanto uma marca sonora ativa as cinco áreas do cérebro (dos 5 sentidos) ao mesmo tempo. Por outro lado, a memória olfativa é a memória de mais longo prazo. A memória tátil e a gustativa acionam diferentes áreas do cérebro. 

À medida que o tempo passa, as pessoas vão ficando mais sinestésicas, ou seja, mais suscetíveis às sensações. Este é mais um motivo para o uso da marca integrada. Estudar pesquisas de neuromarketing antes de criar um plano de marketing deixou de ser optativo, agora esta prática é uma questão de bom senso.
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terça-feira, 23 de maio de 2017

Por onde anda: Queila Viana Uniga

Hoje vamos descobrir por onde anda a Queila Viana Uniga, egressa do curso de Marketing do UNICURITIBA.

Queila, há quanto tempo está formada? 
7 Anos

Onde você trabalha e qual sua função?
Sou Executiva Multimídia no Grupo RBS - Uma das maiores empresas de comunicação multimídia do Brasil e afiliada da Rede Globo.  A RBS é líder na área de comunicação no Rio Grande do Sul, produzindo conteúdo e entretenimento em rádio, televisão, jornal e plataformas digitais.

E como é sua rotina de trabalho? 
Uma correria saudável, que aprendi a equilibrar com qualidade de vida. Começo as 9h30 e geralmente vou até as 19h30, tendo exceções para dias com maiores demandas, que estendo até mais tarde.  Atuo no mercado do Paraná com um grande portfólio de produtos do Grupo RBS como:  Jornais, Rádios, Plataformas digitais, Eventos, Projetos tailor made, tendo como principal responsabilidade, atender os clientes e agência que ficam no estado do Paraná, com demandas de mídias ou interesse em ter suas marcas presentes no estado do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que apesar SC ter sido vendida, ainda somos responsáveis pelos clientes que veiculam no estado também.  Trabalhar com mídia é ficar atenta a tudo, o tempo todo, as coisas podem acontecer de uma hora para outra e é preciso ter flexibilidade e disponibilidade.

Como o curso de Marketing contribuiu para o seu status profissional? 
Atualmente, contribui principalmente em entender melhor o mercado e ter técnicas que me ajudam a desenvolver estratégias junto as marcas, que diante deste mercado tão competitivo lutam para se destacarem, frente ao número excessivo de comunicação que os consumidores recebem todos os dias através de vários canais. Diante disso, as marcas mais do que nunca precisam entender, ouvir e falar com seu consumidor.  O Marketing também me ajudou a construir melhor minhas ideias.

Você tem alguma dica para os alunos do curso? 
O marketing tem um leque de opções e pode levar por alguns caminhos desde comercial; comunicação; marketing digital; Relacionamento com clientes; Marketing de Varejo, Marketing de Pequenas; Gerência de Vendas; Pesquisa de Mercado, enfim, são possibilidades que existem e outras que irão surgir com a velocidade da inovação.  O principal é pensar em nós mesmos como marcas e assim como elas, construirmos boas estratégias, que fortaleçam a nossa base profissional e que nos vendam para o mercado de trabalho com os nossos diferencias.  Responsabilidade, Comprometimento e Diferencial, são referências importantes para um mercado tão competitivo.
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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Semana do Marketing 2017/1

Aconteceu no dia 08 de maio de 2017 a apresentação dos projetos referentes à SEMANA DO MARKETING – 2017/1.  O tema foi “Vivendo um Comitê de Crise”.



A SEMANA DO MARKETING visa integrar os alunos dos diferentes módulos do curso através de uma atividade para trabalhar conteúdos das disciplinas, estimulando as equipes à busca, à pesquisa, à reflexão e construção de soluções. Visa também, a questão comportamental, nas questões de integração, lideranças, participação uma vez que, sendo um curso tecnológico, o desafio dos Projetos Integradores exigem o constante “aprender” a trabalhar em equipe.

O projeto teve como principal objetivo despertar nos alunos a importância do papel do marketing quando há eventos que causam danos à imagem da marca, afetando, inclusive, o desempenho comercial. Assim, analisando fatos recentes com as empresas SAMSUNG / UNITED AIRLINES / VOLKSWAGEN, as equipes deveriam entender a origem da causa, o dano imediato, as reações (mercado, concorrência, consumidor), como as empresas atuaram para justificar, contornar, compensar os danos causados e, finalmente como estão reconstruindo a imagem da marca. 

As apresentações aconteceram em formatos diversos desde vídeos produzidos com alunos como produtores e atores, vídeo com trilha de tensão sobre fatos da marca e produto até encenação de uma coletiva de imprensa e de um simulacro de voo.

Confira o resultado no vídeo abaixo!

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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Que bom se fossemos sempre atendidos desta forma!

Era uma data especial e, portanto, eu precisava comprar um presente. Depois de muito pensar, decidi que compraria um perfume. Como eu estava em uma das minhas muitas viagens de trabalho, lá fui eu para o único shopping que existia na cidade onde estava. Consultei o guia do tal shopping e encontrei uma loja de perfumes, apenas uma... talvez a única da cidade. Decidido, fui direto para lá, mesmo porque não era possível me perder naquele lugar.
Entrei na loja, olhei ao redor e comecei achar que aquela não tinha sido uma boa ideia. A variedade de perfumes que se espalhava pelas prateleiras era enorme e eu um leigo no assunto. O que comprar diante da variedade de marcas, tipos, tamanhos e aromas?


Já estava me preparando para sair da loja quando uma atendente me ofereceu ajuda. Então, começamos a conversar e ela fez uma ampla pesquisa sobre a minha necessidade. Perguntou se o perfume era para meu uso ou para presentear alguém. Como era a pessoa que o receberia, tipo físico, gostos, como pessoa se vestia, se de maneira mais clássica, esportiva ou despojada, se tinha o hábito de usar perfume com que frequência e em que ocasiões o usava, etc.
Após ouvir atentamente todas as minhas respostas, a atendente separou cerca de seis frascos de perfume que mais se adequavam à minha necessidade e ao perfil que ela compôs e começou a demonstrá-los, descrevendo detalhadamente cada um deles: composição, aroma, notas, aplicação, perfume para ser usado no inverno e no verão.



Após o terceiro perfume que aspirei, já não sentia mais diferença alguma entre eles, foi quando a atendente me ofereceu um frasco com grãos de café. Olhei para ela com cara de ponto de interrogação. A atendente sorriu e, pedindo que eu aspirasse tal frasco, explicou-me que o aroma do café neutralizava os aromas dos perfumes aspirados anteriormente.


Continuamos nossa maratona entre frascos e mais frascos e algumas cheiradinhas no potinho de café até que me decidi por um dos perfumes que ela me apresentou. Como se tratava de um presente especial pensei em impressionar a pessoa que o ganharia, por isso estava escolhendo o maior frasco. Contudo, nesse momento, para a minha surpresa, a atendente me aconselhou a levar o frasco menor, pois, pelas características que eu havia descrito, a pessoa não usaria o perfume com muita frequência, assim sendo, o frasco grande duraria muito e o perfume perderia suas características com o passar do tempo. 
Surpreso com o posicionamento da atendente, comprei o frasco menor, conforme sua indicação, e saí da loja de perfumes supersatisfeito, leve, com a sensação de ter feito uma das melhores compras da minha vida. Senti-me único dentro da perfumaria. A atendente poderia ter deixado que eu levasse o frasco maior, o que provavelmente lhe daria também uma comissão mais “gorda”, mas não o fez. Ela não me vendeu somente um frasco de perfume, mas também a qualidade de serviço em forma de atendimento; um serviço impecável, independentemente de haver ou não uma concorrência direta dentro do shopping ou naquela cidade.
Que bom se fossemos sempre atendidos dessa forma!

É isso que os clientes esperam encontrar quando entram num estabelecimento comercial para adquirir um produto, o serviço que vem agregado na forma de agir de um atendente muito bem preparado, que consegue perceber as necessidades e os anseios do cliente, que consegue fazer o cliente sentir-se único, perceber-se importante e não apenas mais um que ali entrou. Nessa condição, o preço é colocado em segundo plano pelo cliente, pois, parafraseando aqui a propaganda de cartão de crédito, um bom atendimento não tem preço!
Sentir o prazer de ser bem atendido fará com que o cliente queira sempre voltar para efetuar novos negócios, além de fazer recomendações elogiosas a respeito do atendimento para o seu círculo de relacionamento, promovendo gratuitamente a propaganda boca a boca.  

O investimento na preparação e na capacitação do pessoal de atendimento parece, portanto, ser uma boa ideia e uma garantia de retorno para o negócio.


Marcos E. Lucato
Professor do curso de Marketing do UNICURITIBA. 
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Mostra "Marketing - o Movimento do Curso"


Com o intuito de apresentar os projetos realizados pelos alunos do Curso de Marketing, a Agência Experimental 98NÓS realizou a mostra "Marketing – o Movimento do Curso", produzida por professores e monitores. 
A mostra expôs os Projetos Integradores que mais se destacaram no curso, assim como outras atividades realizadas pelos estudantes em diversas disciplinas. 
A Profª Janete Joucowski, supervisora da Agência Experimental, explica que a mostra, em formato de biombos, apresentou a estrutura do Curso de Marketing, o conteúdo e o objetivo dos 4 Módulos.  “Também em formato de vídeo, a mostra apresentou uma síntese recente sobre as atividades do curso contemplando as viagens a São Paulo, momentos do Projeto Integrador, as atividades da Semana do Marketing e imagens das premiações ao final de cada semestre.” 
Janete conta que o curso comemora 10 anos em 2017 e para celebrar essa data, será lançado o canal "Giro do Marketing" feito pelos alunos, o qual terá programas sobre a prática do marketing e breves reportagens sobre a vida no curso. 

O Curso de marketing do UNICURITIBA é reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) com conceito máximo, nota 5. “É um curso que movimenta, e essa trajetória reforça esse posicionamento”, conclui.  
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segunda-feira, 8 de maio de 2017

A ética, o marqueteiro, e o profissional de marketing

É ponto pacífico que enfrentamos aprofundada crise moral e ética, exposta em denúncias de corrupção entre atores governamentais e o meio empresarial. Cresce a desconfiança em relação a várias instituições, incluindo corporações que, por décadas, representavam exemplo de crescimento socialmente responsável. O desapontamento em face de gestores privados é comparável ao descrédito em relação ao modelo político vigente, evidenciado por recentes eleições de governantes que se apresentavam como “não políticos”.

No noticiário de escândalos que subvertem a noção de interesse público, e que impulsionam a ojeriza da população à política, tornaram-se comuns referências ao neologismo “marqueteiro” (ou “marketeiro”). Trata-se de substantivo derivado da palavra “marketing” aglutinada ao sufixo “eiro”, e que pode se referir genericamente ao indivíduo “que tem o marketing como profissão” (de acordo com o Michaelis Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa).

Mas o emprego do termo “marqueteiro” ganhou força no âmbito do marketing político, notadamente para designar a pessoa contratada para promover candidato ou partido, com o objetivo final de obter os votos necessários para vencer uma eleição. Como adverte o jurista José Jairo Gomes (Direito Eleitoral, 12 ed. Atlas, 03/2016. [Minha Biblioteca]), o marketing político foca em “bem embalar o político, de maneira a alavancar sua imagem pública”, buscando, desta forma, expandir a credibilidade do candidato e conferir-lhe “ares de transparência, seriedade, retidão de caráter e honestidade, de sorte que as relações estabelecidas com o ‘público-alvo’ – o eleitor – sejam fortes e duradouras, o que termina por refletir no resultado das urnas”.

Destarte, a palavra “marqueteiro” passou a ser coloquialmente associada ao indivíduo responsável por moldar a reputação de determinado político ou partido para agradar o público, veiculando informações que não necessariamente correspondem à realidade. A frequente ligação com denúncias de corrupção e com campanhas políticas enganosas conferiu caráter altamente depreciativo ao termo “marqueteiro”. E esse viés é rotineiramente transposto a outras ações, resultando em generalização equivocada sobre os verdadeiros papeis do profissional de marketing, em todos os seus âmbitos de atuação, e não apenas em relação à propaganda política. Daí a importância dos verdadeiros profissionais de marketing permanecerem sensíveis a padrões morais e princípios éticos que sirvam como diretrizes para suas atividades.

A moral é um conceito relativo que abrange padrões baseados em influências e hábitos, a partir dos quais são realizados julgamentos sobre o que é certo ou errado. O ser humano se apresenta como um ser de hábitos culturais e também como um ser autônomo. Autônomo, no sentido de ser ao mesmo tempo livre e responsável por seus atos. A exposição a convicções de várias fontes (como amigos, família, escola, mídia, trabalho, etc.) influenciam nosso modo de agir frente as mais diversas circunstâncias, de forma autônoma, livre, mas sempre, responsável. Nesse sentido, pondera o filósofo André Comte-Sponville: “Em outras palavras, cada um faz o que quer. E essa liberdade, longe de abolir a moral, nos submete a ela.” (Valor e verdade, São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008, p. 270, apud Lucca, Newton de. Da ética geral à ética empresarial, São Paulo: Quartier Latin, 2009, p. 59)

A moral, portanto, é um conceito relativo, aplicado subjetivamente de acordo com influências e hábitos pessoais, e que estabelece padrões de conduta que auxiliam o indivíduo a atingir a sua finalidade natural: a procura do bem. A moral é a prática que, em última instância, conduzirá o indivíduo a resolver o que fazer em cada situação concreta. A ética, por sua vez, pretende ser algo universal, composta de princípios que motivam ou pretendem orientar o comportamento humano, refletindo essencialmente sobre a essência das normas, valores, preocupações e estímulos atinentes a qualquer realidade social. Desta forma, a definição de diretrizes sobre o que é certo ou errado não é uma questão moral de caráter individual, mas um problema geral cuja solução cabe à parte teórica da ética.

Nesse plano teórico, prolifera o desenvolvimento e implantação de códigos de ética em organizações de diversos níveis e naturezas. Tratam-se de documentos com diretrizes formuladas para auxiliar os diversos agentes a conduzir suas atividades de forma honesta e íntegra, em consonância com valores admitidos pela organização e pela sociedade. Tais diretrizes devem esclarecer a missão, os valores e princípios de uma organização, ajudando os diversos agentes a compreender como esses fundamentos se traduzem em ações sobre problemas ou dilemas éticos. Desta forma, além de regular comportamentos dentro de uma organização, o código de ética proporciona a tomada de decisões de forma mais eficiente e segura.

E quais seriam as principais diretrizes de um código de ética voltado para ações de marketing? Há certas práticas que são claramente antiéticas, por descumprirem regras de conduta obrigatórias previstas em leis. Vivemos numa sociedade regida por leis. Nem mesmo o desconhecimento de determinada lei pode escusar seu descumprimento, conforme o princípio previsto no art. 3º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (Decreto-Lei nº 4.657/42). Portanto, o primeiro passo natural para promover a ética em uma organização é assegurar que todos os seus colaboradores tenham ciência e cumpram as leis relevantes.

Mas existem ações que, embora regulares sob o ponto de vista legal, são questionáveis sob o ponto de vista ético. Por exemplo, o art. 8º da Lei nº 9.610/98 exclui as ideias dos objetos de proteção como direitos autorais. Tal disposição poderia, em tese, justificar o uso de conceitos alheios no desenvolvimento de novas ações de comunicação. Porém, o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (CBAP) “protege a criatividade e a originalidade e condena o anúncio que tenha por base o plágio ou imitação”, e estabelece que “o anúncio não poderá infringir conceitos de terceiros, mesmo aqueles empregados fora do país, reconhecidamente relacionados ou associados a outro Anunciante”.

O CBAP data de 1980 e é exemplo bem-sucedido de código de ética, cuja aplicação é de competência do Conar - Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. Desde a implantação do CBAP, o Conar já instaurou e julgou milhares processos éticos, defendendo princípios como a honestidade e veracidade dos anúncios, o respeito e a conformidade às leis do Brasil, o devido senso de responsabilidade social, a defesa da leal concorrência, e a presença da responsabilidade do anunciante, da agência de publicidade e do veículo de divulgação junto ao consumidor. São diretrizes que orientam quanto a atitudes ideais dos profissionais do segmento, em linha com valores defendidos por anunciantes, agências de publicidade e propaganda, e veículos de comunicação.

Os princípios dispostos no CBAP ilustram como disposições de caráter ético que podem servir à organização como um todo. A questão ganha relevância para o marketing, frequentemente criticado como um processo antiético, que estimularia as pessoas a adquirir produtos ou serviços que não precisam ou que até podem ser prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. O renomado autor Philip Kotler tratou dessas pressões para expandir o consumo forma bastante apropriada no artigo “Marketers Wrestle With Ethical Questions: Is Marketing Ethics an Oxymoron?” (Marketing Management. 13(6), 2004, p. 30-35):

“[C]omo profissionais de marketing, devemos ter a mesma ambivalência que os cientistas que ajudam a construir bombas nucleares ou que os pilotos que despejam agrotóxicos em plantações a partir de aviões. Alguns de nós, de fato, somos independentes o suficiente para dizer a esses clientes que não trabalharemos para eles para encontrar formas de vender mais de algo que prejudica as pessoas. Podemos dizer a eles que estamos dispostos a usar nosso kit de ferramentas de marketing para auxiliá-los a construir novos negócios baseados em produtos alternativos que sejam mais saudáveis e seguros.

Porém, mesmo se essas empresas avançarem em direção a tais produtos mais saudáveis e seguros, elas provavelmente continuarão a empurrar suas “cash cows” (“vacas leiteiras”). Nesse momento, os profissionais de marketing terão de decidir se devem trabalhar para essas empresas, auxiliá-las a reformular os produtos que oferecem, evitá-las completamente, ou se mesmo trabalhar no sentido de se opor aos produtos por elas oferecidos.”

Diante do exposto neste breve ensaio, é possível concluir que os profissionais de marketing devem fomentar o desenvolvimento de princípios éticos e assumir papel ativo na defesa e aplicação de tais princípios. É verdade que códigos escritos e programas de ética não conseguem garantir um comportamento moralmente aceitável por todos os agentes da organização. Como vimos, a tomada de decisão cabe, em última instância, ao ser autônomo, a partir dos padrões que compõem a sua moral individual. Mas é papel da organização orientar e encorajar ações moralmente aceitas, primando por uma regra ética básica: não causar prejuízo conscientemente, a quem quer que seja (consumidores, eleitores, concorrentes, ou a sociedade em geral).

Quer saber mais? Seguem algumas referências consultadas para a realização deste trabalho:
-       Ghillyer, Andrew W. Ética nos negócios. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015.
-       Kotler, Philip. Administração de marketing. 14. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012.
-       Kotler, Philip. “Marketers Wrestle With Ethical Questions: Is Marketing Ethics an Oxymoron?” Marketing Management. 13(6), 2004, p. 30-35.

-       Lucca, Newton de. Da ética geral à ética empresarial. São Paulo: Quartier Latin, 2009.

   
Alysson H. Oikawa

       Mestre em Direito (Master of Laws, LL.M.) pela University of Illinois at Urbana-Champaign, EUA. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Bacharel em Comunicação Social - Habilitação em Publicidade e Propaganda, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Professor do Curso Superior de Tecnologia em Marketing do UNICURITIBA. Advogado (OAB/PR 33.346).

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